CARTA ABERTA AOS PROFESSORES PAULISTAS!, por Gustavo Perez Pereira Andrade

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Gustavo P. P. Andrade

Aos colegas professores que ainda atuam na rede pública estadual paulista: não esperem a liderança do Sindicato para fazerem a greve! Se as lideranças do sindicato não forem até vocês, vão até elas! Amanhã é você que pode estar adido ou sem emprego. A avaliação continua e só uma insurreição dos professores pode acabar com ela e derrotar o projeto de Tarcísio.

Pense nisto! Hoje você tem suas aulas, a sua escola; amanhã, não sabe. Lute pelos 40 mil demitidos, mas, sobretudo, lute por você!

Sou crítico das nomenclaturas de alguns grupos — “professores não permanência”, “professores Categoria O” — pois ser professor não constitui uma raça com subespécies, tampouco somos nobreza de toga ou feudal. É certo que há diferenças, mas o que separa o Efetivo, do F, do S, do Contratado e do V? Ninguém pode faltar; se faltar, perde as aulas. Se for mal avaliado, é remanejado de escola. Não há diferença! Somos só uma categoria que agora precisa de líderes em cada escola e só você pode lutar pelo seu emprego, ninguém o fará.

Fica a consciência de que aceitar como está é pedir para o governo fazer convênio no CIEE e trocar professores da sala de leitura por estagiários. O resultado? Menos aula, mais adidos, mais desempregados. Vocês que estão nas escolas hoje, amanhã podem estar como nós, os 40 mil. Efetivos ainda recebem o mínimo; contratos, nem isso.

A conscientização é oportuna! Fazer a greve agora pode ser arriscar o emprego, mas não lutar hoje é a não garantia de tê-lo amanhã. Não há segurança jurídica ou política com o atual governador. As leis saem do gabinete do secretário na forma de portarias. Uma nova reforma está em pauta na ALESP, “unificando a categoria” na precarização. Isto irá afetar a todos da rede e piorar o que já está ruim.

Não depende agora de esperar os líderes sindicais agirem:

  • Reúna os professores nas escolas;
  • Paute os retrocessos e a nova reforma;
  • Vá até o Sindicato, mesmo se não for filiado.

Uma greve da categoria precisa ser impulsionada pelo docente e conseguir apoio de toda a estrutura sindical. Para ir à batalha contra Tarcísio e seu “capitão do mato”, é preciso a máxima unidade política, superando as divergências e construindo a mobilização.

Por fim, professorado paulista, só você pode derrotar Tarcísio. A greve dos professores pode ser o estopim da greve de outras categorias dos servidores públicos do estado. O Neoliberalismo afeta a todos, até os PMs com seu aumento salarial ínfimo (e provavelmente superior para oficiais em detrimento de praças), viaturas sucateadas e falta de coletes. O governo prometeu valorizar a segurança e não cumpriu, tal como Milei na Argentina, que falou em combater a casta e prejudicou os trabalhadores com o fim de direitos.

Não tenho mais vínculo com o Estado. Agora a luta é com vocês; a luta é de vocês, para e por vocês. Não digo que nunca mais voltarei, mas também não digo até breve, porque tenho planos de mudar de área. É triste que as escolas, centros do saber, tenham se tornado quartéis de metas, agrupamentos do batalhão neoliberal.

Marília, 14 de Fevereiro de 2026

Assinado: Gustavo Perez Pereira Andrade

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